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Brincando com um íntimo instável


Porque é dentro pra fora...

"Andei perdendo palavras por aí. Talvez por falar em excesso elas me faltem agora. As que saíram aos gritos duvido que voltem. Escaparam e deixaram vítimas durante a fuga. Uma pena. Mas em esforço de guerra dizem que perdas são justificáveis. Nunca acreditei muito nisso.

Andei perdendo palavras por aí. Talvez por ficar em silêncio elas me sobrem agora. E por serem excesso ocuparam o espaço antes reservado ao agrupamento ordenado delas. O crescimento desordenado de palavras é mais perigoso. Jamais pensei na possibilidade de um motim de palavras.

Andei perdendo palavras por aí. Das soltas e guardadas. Algumas entraram por um ouvido e saíram pelo outro. Outras entupiram narinas e muitas desceram pelos olhos.

Ainda ontem me olhei no espelho e vi que engordei. Ando comendo palavras saturadas. Um perigo. Preciso perder peso, perder palavras para reencontrá-las".

Sergio Fonseca



Escrito por Giselle às 17h52
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Matinal

De Repente, um Vazio

A enorme boca do Dragão se abre,
me devora viva.
Sem dor... Sem máculas...
Enveredo-me por entre as ruelas
do destino
e encaro este mundo real.
Este mundo ... Vazio.

A consciência, machuca.

Quisera não entender
o que se passa aqui.

Ver os andarilhos esfomeados
a rondar seus olhos...

Quisera poder perpetuar
o sorriso de um menino...

Mas, o Dragão Vive...

Tórridas labaredas lançam-se
para mim.

Enxergar esta Vida falha,
sem anestesia...

É preciso ... calma.
É preciso
Alma...

Senhor, afasta de mim o Dragão,
o Vulcão.
Traga de volta a esperança
de quinze anos atrás.
Conduza meus passos largos
no ritmo da sua dança.
Preencha o vazio
e faça eu lembrar
das rosas
e não dos seus espinhos.


Escrito por Giselle às 07h48
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Não sei foram as estrelas que se apagaram ou foi noite severina.

"Corre calma Severina noite
De leve no lençol que te tateia a pele fina
Pedras sonhando pó na mina
Pedras sonhando com britadeiras

Cada ser tem sonhos a sua maneira
Cada ser tem sonhos a sua maneira

Corre alta Severina noite
No ronco da cidade uma janela assim acesa

Eu respiro seu deesejo
Chama no pavio da lamparina

Sombra no lençol que tateia a pele fina
Sombra no lençol que tateia a pele fina
Ali tão sempre perto e não me vendo
Ali sinto tua alma flutuar do corpo
Teus olhos se movendo sem se abrir
Ali tão certo e justo e só te sendo
Absinto-me de ti, mas sempre vivo
Meus olhos te movendo sem te abrir

Corre solta suassuna noite
Tocaia de animal que acompanha sua presa
Escravo da sua beleza
Daqui a pouco o dia vai querer raiar."

Escrito por Giselle às 21h02
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Queixas

 Ele mesmo dissera que se ela não estivesse satisfeita que fosse se queixar ao bispo. E ela foi. Contou tudo o que havia se passado entre eles: a acusação de ser ela a culpada dos pesadelos dele, os encontros só em dias sorteados no calendário, e não deixou de mencionar que ele não a queria com as unhas dos pés pintadas de vermelho, como ela sempre usara até conhecê-lo. Quando ela terminou, o bispo apenas disse, com a voz baixa e calma de quem passou a vida a ouvir queixas: "Volte hoje à noite, às dez. E venha com as unhas dos pés pintadas de vermelho."

Escrito por Giselle às 23h32
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